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Porquê Treinar a Mente

Porquê Treinar a Mente

Sabe que a "atenção" muda a estrutura do nosso cérebro? Que cérebro gostaria de ter? Quer aprender música? Ao prestar atenção à música o cérebro adapta-se e reconstrói-se porque é plástico. Com o treino conecta neurónios, automatiza movimentos, desenvolve a percepção de sons, tons e ritmos para que possa gozar a música, ou dançar, aprender carpintaria ou falar em público.

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Construímos a nossa vida numa dança relacional entre o nosso estado interior e a informação, que nos chega do exterior sobre as formas mais variadas: as palavras são informação e energia, o comportamento e modo de vestir duma pessoa também o são. Usamos a mente para regular o fluxo de informação que nos chega do exterior pela pele, olhos, ouvidos, paladar, cheiro, postura e vibração do corpo. Mas também a informação do nosso estado interior: as sensações, emoções e pensamentos. Como e para que prestamos atenção a todas esta informação que nos chega de fora e de dentro? A "atenção" é o modo como lidamos com as coisas, o que notamos no mundo em que vivemos e nos outros que encontramos. Regula o fluxo de informação dentro de nós e entre nós. Todos conseguimos apontar a atenção, como uma lanterna, segui-la ou mudar o foco e cada um faz à sua maneira. Tal como a água a "atenção" tem várias "formas" ou estados. Um estado "focado", sólido como um cubo de gelo, com o qual damos atenção a uma coisa só e ignoramos o resto à nossa volta. Um modo de “triagem”, mais fluido e mediador, no qual digerimos informação transitando a atenção de dentro para fora e vice versa. Este estado de triagem pode ser vivido como um estado de confusão, em que pesamos várias opções, "por um lado…por outro…". Mas a atenção também pode ser "aberta" criativa, sonhadora e difusa. Aqui navegamos pelas profundezas das nossas memórias, imagens e ideias e criamos novos padrões, pensamentos e descobertas. Assim como as mudanças dum carro influenciam a sua performance de acordo com as necessidades de condução também a "atenção" transita constantemente entre estes diferentes estados criando uma espécie de "metabolismo mental". É assim que absorvemos informação, organizamos, digerimos, avaliamos, eliminamos, arranjamos em novos padrões e ideias, armazenamos e depois voltamos a reorganizar e exprimir.

Em geral, na cultura Ocidental, quando alguém está perdido em pensamentos, achamos logo que é uma óptima oportunidade de os interromper. Quando alguém está a digerir um estado de confusão achamos logo que os devemos ajudar. Somos treinados de pequenos a prestar a atenção ao que está fora de nós, a dar respostas e tomar decisões rápidas e agora. Mas, se não estivermos dispostos a passar tempo a "não saber", com as nossas mentes abertas num estado de "sonho", não nos é possível gerar ideias e soluções inovadoras que tão desesperadamente precisamos.

Hoje sabemos que apenas uma pequena quantidade das nossas actividades cognitivas (decisões, emoções, acção e comportamento) são conscientes. No entanto, a mente está sempre em actividade dirigindo o foco da atenção por baixo da superfície da consciência procurando relações e conexões. Provavelmente os grandes desafios da vida têm mais possibilidade de resolução em estados "abertos" da mente.

Educaram-nos a prestar atenção ao exterior, poucas vezes nos deram tempo para prestar atenção ao que se passa dentro de nós e muito menos para o modo como prestamos atenção. Mas se é na relação entre o nosso estado interior e a informação exterior que construímos a nossa vida, ou lhe damos significado, só podemos beneficiar em termos mais consciência do que a atenção está a focar. O treino é prestar atenção à própria atenção.

Treinos da mente que usem a atenção de modo receptivo, ou seja aberto, ao que está a acontecer no presente, dentro e for a de nós, dão-nos consciência desse momento único e extraordinário em que estamos a criar a nossa vida. Esse estado intencional pretende cultivar um modo de não julgamento dos factos, ou seja um estado de pré reflexão (não se debruça no conteúdo mas sim na forma como estamos a dar atenção). Assim, de mente aberta e não avaliadora, temos acesso a mais informação, conseguimos desligar padrões habituais de processamento e temos por isso ao nosso dispor uma maior liberdade de acção, comportamento e ideias inovadoras.

Há estudos que mostram que 8 semanas de treino da mente, dum modo intencional, receptivo e não valorizando julgamentos habituais ao que está a acontecer, nos traz bem estar físico, equilíbrio emocional e melhor relacionamento com os outros. Esta forma de atenção é integradora: conecta informação exterior e interior de modo a que o todo (a síntese, a acção, o comportamento, o relacionamento etc.) seja maior que a soma das partes.

O treino da mente é uma ferramenta individual e colectiva muito necessária, sobretudo neste momento de risco e oportunidade, para a evolução da Humanidade. Cada um de nós pode ser em vector de evolução pacífica dos desafios civilizacionais que vivemos.

 
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